“Cidades Irmãs”: Prefeitura de Alagoinhas debate a criação de um projeto de cooperação com a República Democrática do Congo | Prefeitura de Alagoinhas

“Cidades Irmãs”: Prefeitura de Alagoinhas debate a criação de um projeto de cooperação com a República Democrática do Congo


13 de março de 2019, 21:11

Visando à criação de ações de caráter integrativo, pautadas no desenvolvimento sustentável, na preservação da cultura e no intercâmbio de experiências, a Prefeitura promoveu, nesta quarta-feira (13), uma reunião com a Câmara de Comércio para debater a criação de um projeto de cooperação entre Alagoinhas, na Bahia, e a cidade de Kamina, na República Democrática do Congo.

A intenção, segundo a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo (SECET), é elaborar conjuntamente um projeto que englobe, de forma transversal, questões sociais, ações ambientais, cultura popular, educação, saúde e tecnologias da informação.

Foto: Roberto Fonseca

“Há um interesse, já antigo, de unir a nossa cidade a um município do Congo com o projeto ‘Cidades Irmãs’ e uma discussão em andamento. Então aproveitamos a vinda da pesquisadora Mwewa Lumbwe, do professor Muleka Ditoka Wa Kalenga, assessor de Cooperação Internacional da Câmara de Comércio e Indústria Brasil/República Democrática do Congo, e do professor Bas’llele Malomalo, agora em março, para trazer novos encaminhamentos que contribuam para a oficialização de uma parceria. O interesse de todos é construir um futuro melhor. Certamente, essa reunião terá reflexos positivos”, afirmou Iraci Gama, vice-prefeita e secretária municipal da pasta de cultura.

Foto: Roberto Fonseca

Não é a 1ª vez que a pesquisadora Mwewa Lumbwe, do Congo, agrega estudos com resultados concretos para o Brasil. Desde 2013, Lumbwe está em contato direto com a comunidade do Cangula, em Alagoinhas, e o trabalho que desenvolveu sobre os meios de subsistência e a organização dos núcleos familiares da comunidade quilombola se transformou em livro, reunindo um importante acervo dessa herança cultural.

Foto: Roberto Fonseca

É utilizando esses registros e entendendo a pesquisa de Lumbwe como importante instrumento para compreender as condições históricas, culturais e econômicas de desenvolvimento das comunidades quilombolas que a Administração Pública de Alagoinhas pretende trazer novas definições e propostas.

“Mwewa conheceu os quilombos e muito se interessou por suas histórias. Desde que transformou a dissertação em livro, sobre a Fazenda Cangula, a pesquisadora vem tentando apresentá-lo ao poder público. Consideramos uma boa oportunidade conhecer e aproveitar o estudo, integrando-o às nossas ações”, revelou Iraci Gama.

Para o secretário municipal de desenvolvimento e meio ambiente, José Edésio Cardoso, além do caráter cultural, de preservação da memória e reconhecimento do patrimônio imaterial, há também um potencial que pode ser explorado em outras áreas por meio do conhecimento compartilhado e da troca entre Alagoinhas e Kamina.

“Do adubo à energia e biodiesel, temos muitas propostas que podem gerar resultados efetivos em uma cooperação entre os países. Alagoinhas tem riquezas naturais que precisam ser preservadas, estamos em andamento com projetos de recuperação de nascentes, criação de hortas verdes nas escolas, educação ambiental, arborização, sem contar as iniciativas já reconhecidas no município, como a Farmácia Verde, na parceria do Cangula com a BSC Copener, que utiliza a fitoterapia aplicada na elaboração de medicamentos naturais. São muitas ações que gostaríamos compartilhar também com a cidade de Kamina”, pontuou José Edésio, que participou das discussões nesta quarta-feira.

Da República Democrática do Congo, o professor Muleka Ditoka Wa Kalenga, graduado em Jornalismo (1967), Relações Internacionais (1976) e Publicidade e Propaganda (1984), doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, apresentou aos representantes da esfera pública de Alagoinhas o jogo “Tatuzinho Comilão”, que utiliza estrategicamente algoritmos matemáticos para a alfabetização de alunos.

Foto: Roberto Fonseca

Segundo ele, o jogo é uma das propostas que também pode ser incorporada à realidade do Brasil, em uma via de mão-dupla em favor das parcerias que possam trazer melhorias para as comunidades dos dois países.

O também professor congolês Bas’ilele Malomalo, doutor em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista, que participou da reunião, falou sobre suas pesquisas na área de estudos da cultura e destacou os novos paradigmas do meio ambiente a partir do olhar africano e as questões étnicas como pontos que podem ser compartilhados para a elaboração do projeto.

Foto: Roberto Fonseca

A previsão é de que, em abril, Mwewa Lumbwe e Muleka Ditoka Wa Kalenga levem, para seu país de origem, um estudo com a proposta para apresentar à província di Haut Lomami Congo.

O projeto será apresentado também a representantes da esfera pública da Bahia e a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo informou que está em processo de avaliação a criação de um Memorial das Comunidades Alagoinhenses de Matrizes Africanas e Indígenas, que abarcaria e dialogaria com a proposta de cooperação técnica entre os países, em mais uma iniciativa de valorização da cultura e preservação da memória.

Além dos representantes das pastas municipais de Cultura e Desenvolvimento, participaram da reunião Luiz César, da Associação da União de Terreiros Religiosos de Matriz Africana de Alagoinhas (AUTRMAA), Erivaldo da Silva, diretor de Turismo, Salvador dos Santos, da Guarda Municipal, Washignton Santos, da Secretaria de Educação, o coordenador do Arquivo Público Municipal, Robério Pimenta, e equipe técnica da secretaria.

Foto: Ana Maria Simono

Uma nova reunião entre os pesquisadores e representantes da esfera pública municipal deve acontecer ainda em março.

 

 

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